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quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Uruz - Ur- touro selvagem


                               O Auroque




A responsabilidade em assumir a própria vida.


A força em enfrentar erros e acertos da vida, vencer os fracos e as próprias fraquezas - pura lei da sobrevivência.
 Saber que não há vítima nem algoz, mas, sim o enfrentamento diante das consequências de colher os frutos plantados e a coragem para saber que  a responsbilidade é inteiramente de quem as plantou.

Runa relacionada ao masculino, aos rituais de passagem tribais, configura o momento final do rito; ao alcançar a maturidade, o jovem poderia ser cosiderado pronto para a vida adulta, portanto, esta runa, ao surgir numa mandala, sugere poder, saúde, virilidade e força!  

  

"O boi selvagem é destemido e de altos chifres,
um feroz lutador que palmeia as charnecas"
poema anglo saxão.

Fehu - Feoh - O Gado


A Riqueza 





Tudo aquilo que se deseja manifestar principia no coração; a tarefa diária feita com amor pode ser trabalhosa, pois exige rotina e dedicação integral, mas se por traz dela houver um sonho verdadeiro, valerá a pena abraçá-lo e dar o primeiro passo.


Como um pastor que cuida de seu rebanho com carinho e empenho, consciente de que é preciso despender energia de sol a sol para concretizar algo, assim também é com tudo - amor, carreira, prosperidade...




Fehu (ou Feoh) é a primeira Runa do alfabeto de Futhark, e simboliza o gado, portanto, riqueza.
Na antiguidade, a cabeça de gado chegou a ser utilizada como moeda vigente, e hoje em dia ainda se pode dizer que é seguro investir nisso, pois multiplicam-se rapidamente, embora isso exija cuidado constante.


Fehu alerta-nos que é preciso manter o coração e a mente vibrando em sintonia com o que se deseja conquistar - afinal, tudo em que concentramos atenção acaba por materializar-se.


Também é a runa da conquista afetiva e, também, promete segurança nos relacionamentos, desde que se esteja disposto a manter o compromisso depois de concretizado.



"A riqueza é consolo para todos,
mas há de partilhá-la aquele que espera lançar
sua sorte para julgamento perante os deuses"
poema anglo saxão

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Sobre conexões

Como musicista, percebo que é preciso conhecimento, técnica e muito estudo para que alguém se torne um  músico de verdade, quando isso se dá e o instrumentista se apropria de tal universo - se é que isso seja possível- chega o momento do mergulho do músico em sua música, isso o conecta com a própria alma e ele passa a dar o seu tom, e então, o músico e sua música passam a ser um só.
Refletindo sobre isso ao tocar, relaciono essa conexão com quase todas as coisas, especialmente as do universo espiritual. Penso sempre em energias, podemos ter nascido na África, Europa, Brasil, e, portanto, temos uma comunhão com as forças energéticas daquele lugar, fazemos parte da mesma egrégora, mas, no que se refere ao espírito, há uma outra afinidade, talvez até mais verdadeira, já que vem do coração, mas, ao mesmo tempo, não podemos negar a força da terra em que nascemos e nossa união com ela e sua história e há ainda uma terceira conexão, a herança anscestral, de sangue, de família,e é como se esses tres princípios caminhassem juntos e em espiral, ora estreitamente unidos, ora definidos, cada qual com sua egrégora.
Partindo desse princípio, atrevo-me a relacionar divindades, não pensando em sincretismo, que nos remete ao ecletismo, mas à fonte, a fonte energética daquela divindade, aí sim, entendo e me conecto.
Não falo do que não conheço nem do que não sinto, portanto, para mim, pessoalmente, consigo relacionar plenamente, por exemplo, Odin, meu grande mestre espiritual das runas, pois é com ele que converso, na mesma frequência de Ossoxi, meu pai nesta vida, divindade das matas e conhecimento, do panteão indígena, portanto da terra onde nasci, assim como Odin, Xamã e pai do conhecimento.
Há também um carinho especial com o celtismo, meu pai nascido em uma pequena aldeia de Portugal,me legou a música e a alma celta. São as minhas conexões.

domingo, 19 de agosto de 2012

Ritual de passagem - a consagração das runas -

   
  As runas, segundo a *Edda Poética, foram encontradas por Odin
em seu ritual de passagem.
 Após permanecer nove dias  e nove noites, ferido por sua própria lança, pendurado de cabeça para baixo, sem beber e sem comer, encontra os caracteres rúnicos.
  Para poder conhecê-las, entrega seu olho direito para o Senhor do Conhecimento, Mimir, guardião da fonte da sabedoria,cujo nome significa "Aquele  que  pensa", e
assim, obtém o conhecimento sobre as runas secretas.

 Da mesma maneira, para entrar em um contato profundo com cada um dos ideogramas, cada qual vivencia seu próprio ritual, algumas vezes auto-imposto, como no caso de Odin e, noutras, jogado pela vida, como no meu caso.
  Pode ser realizado com um contato profundo no universo de cada runa,
aliado ao processo  de busca interior.

O melhor, então, é vivê-las:


 Fehu 
Pede trabalho e esforço; pode-se encontrar na natureza o que mais se  adequa a confecção do  jogo pessoal, que pode se pintado ou esculpido em pedras, entalhado em madeira, pintado em conchas ou pirografado em sementes; aconselho, também, um ritual para a execução desta tafera, que pede silêncio, reflexão sobre seu significado e entonação do som do nome de cada uma.

Uruz
Exige posse - aquele jogo será seu.
Então, aconselho colocá-lo na terra, para que seja imantado; em seguida, no sol, para ser energizado e banhado pela lua cheia, para que receba a força do magnetismo lunar.

Thurisaz
Adverte para o pensamento racional, justo, preciso, de cada símbolo; então, o estudo se faz necessário - ler, aprender e pesquisar.

Ansuz
Entender a sabedoria divina de Odin, conhecimento esse que pode nos chegar através de sonhos; sugiro  dormir com cada pedra sob o travesseiro, meditar sobre seu significado e relacionar as mensagens com os acontecimentos do dia.

Raido
Ir além; estudar tanto a cultura Nórdica como o conceito que cada símbolo poderia ter na Escandinávia no passado longínquo  - viajar, usar as runas para perguntar sobre tudo o que se deseja alcançar e conhecer.

Kenaz,
Iluminação; nesse momento, acender um luz sobre a vida, questionando e refletindo a jornada que se inicia, como por exemplo:


-o que estou fazendo?








-que responsabilidade estou disposto a assumir?


-quais meus medos?


-o que sei-de alma?


-o que mudar?


-qual  verdade  persigo?


-com o que meu uno?


-o que me dá prazer?


-o que me impede?


-sobre o que silencio?



-o que me faz falta?


-o que colho?


-invoco meu Mestre.


-escolho meu caminho.


-faço uma prece pedindo proteção.


-peço iluminação.


-firmo meu propósito.


-purifico o passado.



-dou o primeiro passo.


-planto nova semente.
          

-conecto-me com minha intuição.



-estou pronto para me conhecer.



-vivo com fé, minha transformação.


-agradeço aos ancestrais e lhes peço auxílio.


Gebo,
União; hora de conectar com a alma e sentir a ligação com cada um dos ideogramas, escrevendo o próprio nome em rúnico e, assim, saber mais sobre si mesmo.

Wunjo,
A consagração:
Escolher uma data significativa; uma lua crescente ou cheia, de preferência numa quarta-feira, dia consagrado a Odin; se possível, numa festa também do sol, como um equinócio ou solstício, e numa festa do céu, como Beltane ou Sahmain - seria mágico  poder unir tudo numa só data.
Flores, velas, pedras, incensos, ervas, música e água, adornarão a toalha, cujas runas, espalhadas numa  mandala benéfica, coroarão a cerimônia de consagração.

Início:
Prece a Odin

"Senhor Odin, Mestre e Guardião das Runas  secretas, hoje  invoco teu poder e peço que guarde e abençoe este jogo de runas para que sempre seja utilizado de forma construtiva, que oriente minhas mãos, meus pensamentos e meu coração, e permita que minhas questões sejam respondidas com verdade e sabedoria que isso me faça melhor para que eu plante as melhores sementes e colha o que me for devido.


Salve Odin!" 

Caso preferir, pode-se homenagear também outros deuses. 

Com a vela acesa, andar em torno da mandala rúnica, dando sete ou nove voltas inteiras; recolocar a vela em seu castiçal, sentar-se em contemplação, mentalizando o trabalho e entoar o nome de cada runa, criando, assim, uma melodia mágica e secreta.
Pedir ao  Senhor Odin que abençoe as runas e proteja a oferenda.
Quando a vela terminar de queimar, beber a água como se, assim, fosse absorvido o conhecimento - então, a cerimônia terá chegado ao fim, as runas serão guardadas num saquinho, junto de uma ametista e uma selenita e a toalha dobrada - e a caminhada continua, pois ainda  faltarão dezesseis  runas para concluir o ritual de passagem.


  *A   Edda Poética e a Edda em prosa são as mais importantes fontes de informação sobre mitologia nódica.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Hávamál

O ritual de passagem de Odin.



Trecho do Hávamál


 "138-Eu sei que eu pendi numa árvore
 balançada pelo vento
por nove noites e nove dias inteiros,
ferido por uma lança´
e dedicado a Odin,
eu mesmo a mim mesmo´
naquela árvore que não sei
de onde as raizes vem.
139 - Eles não me consagraram com pão
nem com qualquer chifre,
eu contemplei lá embaixo,
eu peguei as runas,
gritando eu as peguei
e de lá eu caí.
140 - Nove poderosas canções
eu aprendi do famoso filho
de Bolthor, o pai de Bestla´
eu também bebi
do precioso hidromel,
servido por Odrerir
141 - Então eu comecei a entender
e fiquei sábio
e crescí e prosperei muito bem,
minhas palavras a partir de palavras
e palavras encontrei,
minhas proezas a partir de proezas
e proezas enconrei
142 - Runas você pode encontrar
e letras auxiliadoras,
letras muito poderosas,
letras muito fortes,
as quais o sábio poderoso pintou
e os deuses fizeram
e que Hroptr dos deuses gravou..."
(tradução de Salvador González, José)

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Salve Odin!




No meu entender, as Runas foram utilizadas pelos povos pagãos , que foram perseguidos pela invasão romana e, depois, pelos cristãos-católicos, transformando-se num alfabeto mágico cujo significado permaneceu hermético, esquecido no tempo, já que era preciso manter-se intocado, protegido e por isso foi deixado de lado, sendo usado por raras tribos que continuavam com a tradição oral; mesmo assim, só algumas pessoas iniciadas dominavam este segredo.

Muito além desse tempo longíquo, um Xamã denominado Odin - considerado um Deus nórdico - e históricamente um chefe de tribo que povoou os países escandinavos, legou-nos estes versos em seu ritual de passagem:

"Durante as nove noites de tempestade,
Abriguei-me em uma árvore,
Ferido por minha própria lâmina.
Odin consagrava a Odin.
Uma oferenda de mim para mim mesmo;
Preso àquela árvore poderosa
Cujas raizes os homens desconheciam!
Ninguem me deu o que comer
Ninguem me deu o que beber,
Pelas profundidades do abismo eu vagava
E procurava pelas runas!
Então, com um grito pungente, caí na escuridão!
Alcancei o renascimento
E também a sabedoria.
Por que fiquei mais forte e exaltado em meu crescimento;
E então, a partir de uma runa, fui conduzido a uma segunda
E de um ato a outro."

Salve!Grande Xamã!
Guardião das Runas secretas.

Carmo tavares